Plenária da Regional Norte da UGT em Londrina.


Mais de 120 dirigentes sindicais de várias cidades paranaenses participaram da Plenária da Regional Norte da UGT-PARANÁ, realizada em Londrina (PR), dia 26/09, com os temas:  “ O Movimento Sindical e as Manifestações Populares de Rua” e  a ação coletiva da UGT requerendo as perdas com as correções do FGTS (Fundo de Garantia do Tempo de Serviço). A presença de dirigentes de diversas categorias profissionais de todas as regionais da UGT no estado reforçou a pluralidade sindical da União Geral dos Trabalhadores.

“A cidade de Londrina nos traz sempre boas recordações, pois foi aqui, em 8 de março de 2008 que fundamos a UGT no Paraná”, lembrou o presidente da  central, Paulo Rossi. Na abertura da plenária os sindicalistas fizeram um minuto de silêncio em memória da companheira  londrinense Joana Pereira dos Santos Ciriaco, falecida recentemente. “Essa mulher guerreira, uma lutadora constante das causas sociais sempre esteve presente na Regional Norte da UGT-PARANÁ, dividindo seu conhecimento e carinho”, disse o presidente da regional, Marcelo Urbaneja. O presidente da UGT-PARANÁ falou também que em breve deverá ser criada a Regional Sudoeste da UGT no Estado. “A União Geral dos Trabalhadores é a maior central sindical paranaense e esse crescimento se deu pela descentralização das ações, regionalizando as relações da central com seus sindicatos filiados. Com isso agilizamos a tomada de decisões nas diversas frentes sindicais. E com a criação de mais essa regional temos a convicção de estarmos melhorando e estreitando ainda mais as relações dos sindicatos e suas bases”, disse Para fazer um balanço e uma leitura acadêmica do movimento sindical e as manifestações populares que levaram milhares de brasileiros às ruas a partir de junho de 2013, foi convidado o professor de direito e cientista político, André Trindade, que também dirige o Centro de Pesquisa em Ciências Sociais Aplicadas da UNOPAR  (Universidade do Norte do Paraná). O professor Trindade fez um analise das bases de formação das sociedades brasileiras, nas questões econômicas e políticas. Ao falar do momento presente da cidadania brasileira, André Trindade destacou que a política brasileira, como é feita atualmente, não permite ao cidadão ser de fato representado nos parlamentos, seja ele municipal, estadual ou nacional, e justificou sua posição. “Oras, se só podemos eleger por meio de partidos e não de grupos de interesse, é muito comum aquele parlamentar eleito deixar de lado os interesses das classes votantes e seguir a ‘cartilha partidária’, que muitas vezes vai contrária aos seus próprios eleitores”.  Para ele, é importante que os trabalhadores organizados possam eleger seus legítimos representantes, sem estarem tutelados por partidos políticos. Ele lembrou que a grande maioria de eleitores no Brasil é formada pela classe trabalhadora. “No entanto temos no Congresso Nacional 90% de parlamentares que representam a classe patronal e apenas 10% que representam os interesses dos trabalhadores. Há um enorme contra-senso nessa equação’, disse André Trindade. Ao falar sobre a estrutura sindical,  o professor André lembrou que os movimentos sociais organizados que foram às ruas são manifestações de uma nova forma de mobilização que partidos e centrais sindicais devem acompanhar atentamente. “Infelizmente não está havendo uma renovação nos quadros sindicais, e a juventude precisa participar com mais presença nos sindicatos”, disse Trindade. PERDAS COM O FGTS Ao longo de muitos anos a correção do FGTS era feita com uma determinada base de cálculo. Mas houve uma alteração nessa regra e com isso a correção passou a ser abaixo do que era sendo feito. Para se ter uma ideia do tamanho do prejuízo, o Departamento de Economia da UGT refez os números. Por exemplo: um trabalhador que no ano de 1999 tinha na conta do FGTS R$ 1.000.00 hoje tem R$ 1.340,47. Na verdade se as regras não tivessem sido alteradas e a taxa referencial (TR) não tivesse sido manipulada, essa mesma conta deveria ter R$ 2.586,44. Isso significa que está perdendo R$ 1.245,97. É essa diferença, que nesse caso chega a 88,3% que a UGT está reclamando na Justiça. Ao falar sobre a ação coletiva que a UGT vai encaminhar cobrando as diferenças com as correções do FGTS , o secretário para Assuntos Jurídicos da UGT, Feliciano Moreira, lembrou da necessidade dos sindicatos esclarecerem suas bases sobre a importância dessa ação. “Esse dinheiro foi tirado da classe trabalhadora por meio de mecanismos de reajustes espúrios, que tiraram dos trabalhadores valores consideráveis do Fundo.” Feliciano falou ainda sobre as questões técnicas jurídicas que envolvem essa ação, e que os sindicatos podem fazer individualmente, acessando o site nacional da UGT e solicitando todos os formulários necessários. Ou então encaminhando para o departamento jurídico da central dar prosseguimento à ação. “As regionais da UGT no Paraná têm seus assessores jurídicos que podem encaminhar essa ação proposta pela UGT.”




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