Lucro de um ano daria para duplicar 12,5 km da BR-277


No último dia 28 de março, membros do Conselho de Administração da Ecocataratas participaram de reunião para deliberar sobre as destinações que seriam dadas ao resultado apurado pela concessionária ao longo do exercício financeiro de 2013. Em apenas um ano, o lucro líquido da empresa chegou a R$ 43,2 milhões, dinheiro que seria suficiente, considerando o valor médio cada em R$ 3,5 milhões, para duplicar trecho de 12,5 quilômetros da BR-277.

A concessionária do Lote 3 do Anel de Integração Rodoviário administra trecho de 380 quilômetros entre Foz do Iguaçu e Guarapuava. A obra recente mais expressiva da empresa na ampliação da capacidade de fluxo da rodovia, uma das mais movimentadas e perigosas do Paraná, foi a duplicação de trecho de 14,4 quilômetros entre Medianeira e Matelândia. O trecho custou R$ 49,5 milhões e o valor tem sido pago pelos usuários desde o mais recente reajuste no pedágio, que ocorreu em dezembro do ano passado. Além do aumento previsto em contrato de 5,72%, as cinco praças da Ecocataratas aplicaram acréscimo adicional de 3,82% para cobrir os custos da duplicação.

A segunda pista nos 140 quilômetros entre Cascavel e Foz do Iguaçu é uma das mais antigas reivindicações da comunidade regional, ela se arrasta há quase três décadas. As obras da segunda pista foram iniciadas há quase 20 anos, a partir do trecho de 20 quilômetros entre Foz do Iguaçu e Santa Terezinha de Itaipu, pagas com recursos federais. Dois trechos foram iniciados mais tarde, já pela concessionária entre o perímetro urbano de Cascavel até o trevo de acesso à 163, em direção ao Sudoeste, e de Santa Terezinha a Medianeira.

Na gestão do ex-governador Roberto Requião, que interrompeu qualquer possibilidade de diálogo com as concessionárias, as obras foram paralisadas. No início dos anos 2000, devido a um termo aditivo, a concessionária ficou desobrigada de atender a uma das mais importantes aspirações do Oeste, justamente a duplicação entre Cascavel e Foz. Esse foi o preço que a região pagou pela redução das tarifas na casa de 30%. Caso a mudança não tivesse ocorrido, a previsão era de que a duplicação estivesse pronta em 2007.

Como quem está pagando a duplicação dos recentes 14,4 quilômetros entre Medianeira e Matelândia são os usuários, é possível afirmar que há muito não são feitas grandes obras de ampliação de fluxo do referido trecho da 277. Parte dos milhões arrecadados nas praças de pedágio é destinada à manutenção e à conservação da pista. Há mais de um ano, o governador Beto Richa, que retomou o diálogo com as empresas, anunciou mais 14 quilômetros de duplicação – em Cascavel e Matelândia. Ainda não há definição de início dos trabalhos.

Enquanto ações práticas não ocorrem, a Ecocataratas delibera como o resultado líquido de 2013 será destinado. Dos R$ 43,4 milhões de lucro, R$ 2,1 milhões vão à constituição de reserva legal e R$ 41,2 milhões serão distribuídos como dividendos - uma bela fatia vai para o bolso dos acionistas. A assessoria da concessionária foi procurada mas não se pronunciou até o fechamento desta edição.

FONTE: O Paraná

 



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