Vacina em teste mostra eficácia contra dengue


Há mais de vinte anos vários laboratórios farmacêuticos estudam uma forma de imunizar a população contra a dengue. A doença é um grande desafio para os cientistas porque apresenta alta taxa de mortalidade e quatro tipos de vírus diferentes que são transmitidos por um mesmo vetor: o mosquito Aedes aegypti. Uma vacina desenvolvida pela Sanofi Pasteur está na última fase dos estudos exigidos antes do registro e até agora apresentou resultados positivos na redução do número de casos de dengue entre pessoas imunizadas.

"Constatamos a redução de 56% no número de casos de dengue no grupo vacinado, o que está em linha com o que a Organização Mundial de Saúde esperava. O objetivo deles é reduzir em 50% a mortalidade por dengue até 2020 e este resultado veio de encontro com esta necessidade", aponta a gerente do departamento médico da Sanofi, Sheila Homsani. Segundo ela, a proposta é que a vacina seja administrada em três doses, uma a cada seis meses.

Os dados da pesquisa foram alcançados em um estudo realizado em mais de dez mil voluntários de cinco países da Ásia - o estudo está sendo reproduzido no Brasil e em países da América Latina. "No Brasil já terminamos a terceira dose da vacina e teremos o resultado até o final deste ano", declara.

De acordo com a pesquisadora, o vírus sofre alterações genéticas, mas mesmo em países como a Tailândia e a Indonésia, que apresentam alta incidência de dengue, os resultados foram positivos. "A vacina protegeu. Esta é a última fase de estudo, depois disso vamos computar os resultados e entregar às agências regulatórias para análise e introdução da vacina no mercado", explica.

Sheila afirma que a Agência Nacional de Vigilância Sanitária e o Ministério da Saúde já estão informados sobre os resultados preliminares das pesquisas. "A vacina deve ser incluída no calendário nacional, mas ainda não sabemos quando e nem as faixas etárias que serão beneficiadas", salienta.

Procurado pela reportagem da FOLHA, o Ministério da Saúde não se pronunciou sobre a vacina em teste. Através da assessoria de imprensa, o órgão informou apenas que "apoia e acompanha de perto toda e qualquer pesquisa que possa ajudar no combate à dengue."

A pesquisadora da Sanofi afirma que a vacina imuniza contra os quatro tipos de vírus da dengue e que a dificuldade em chegar a um resultado positivo se deu justamente porque cada vírus tem a sua peculiaridade. "Na verdade são quatro vacinas diferentes dentro de uma só", afirma. Segundo Sheila, a vacina é produzida com os vírus vivos e atenuados, mas não se sabe ainda a durabilidade da imunização. "Os estudos clínicos realizados com a vacina começaram há cerca de 15 anos e até agora os indivíduos vacinados continuam protegidos, mas não podemos afirmar se no futuro será necessário um reforço", salienta.

Ameaça
Sem um tratamento específico, a dengue é uma ameaça para quase metade da população mundial e atinge especialmente países da Ásia e América Latina. Estima-se que cerca de 100 milhões de pessoas sejam infectadas todos os anos pela dengue, mas a OMS admite que o número real é superior, já que a doença é subnotificada. Sintomas clínicos leves e não específicos dificultam a identificação da doença.

A febre hemorrágica da dengue, forma grave da doença, atinge cerca de 500 mil pessoas todos os anos. Esta é uma das principais causas de hospitalização e morte por dengue. Para reverter o quadro é preciso que o paciente tenha acesso a medicamentos e orientações apropriadas. No ano de 2013 foram registradas 15 mil mortes por dengue no Brasil. O número de casos confirmados da doença em Londrina já ultrapassa os 800 e há outros 1.400 suspeitos, de acordo com dados da Secretaria Municipal de Saúde.

Reportagem: Michelle Aligleri
Fonte: Folha Web
Post: Marilene Basso Bergamo




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