Oeste é referência em piscicultura no Paraná


As expectativas para a produção de peixes são as melhores e tende chegar a 70 mil toneladas neste ano no Paraná. Quantidade que representa um aumento de 34% para a aquicultura de todo o Estado. A região Oeste, considerada como um polo de grande potencial, será responsável por 60% do total.

Em visita a região, o superintendente da Pesca e da Aquicultura, José Antonio Faria de Brito, destacou a necessidade de o País diversificar a produção de proteína, e o peixe aparece como maiores vantagens em relação as demais atividades. A aquicultura pode ser agregada com outros ganhos do meio rural, fortalecendo a economia familiar no campo. “Isso compreende a criação de peixes em tanques e escavados. Queremos agregar à produção de boi, de frango e agrícola de maneira geral, a aquicultura, como projeto de melhoria das condições de produção de uma pequena propriedade”, afirma Brito.

O Estado tem proporcionado qualificação para fortalecer a criação de peixes. “Contamos com um engenheiro de pesca no nosso grupo de trabalho, Luiz Viana, e podemos realizar treinamento técnico para toda a região monitorada pela superintendência”.

A produção leva em média de seis a sete meses, não exige muito espaço e, no entanto, traz a garantia de quase a totalidade de aproveitamento. “Em um tanque rede, por exemplo, coloca-se em torno de 980 a mil cabeças e a perda não chega a 5%”. O lucro é bastante significativo. “Ele é de 70%, porém pode chegar até 100%”, afirma Brito.

Os escritórios regionais do Ministério da Pesca e Aquicultura estão instalados no Estado para dar suporte aos produtores. Uma nova unidade será inaugurada em Foz do Iguaçu, verificada a importância que o lago Itaipu tem para toda a região.

Divulgação
Produção deve chegar a 70 mil toneladas neste ano

 

Tilápia será criada em tanques da Itaipu

A tilápia aparece como a principal espécie escolhida no Estado, que em breve, tende a ser reproduzida em tanques da Itaipu. “Inclusive estamos vendo a possibilidade da inclusão no Lago de Itaipu”, explica o superintendente da Pesca e da Aquicultura, José Antonio Faria de Brito.

O Ministério da Pesca e Aquicultura já realiza a mesma iniciativa em outras hidrelétricas. Nesta semana, áreas aquícolas foram licitadas nos estados de Goiás, Pernambuco, Paraná e São Paulo. “A cessão destas águas da União, localizadas em reservatórios de usinas hidrelétricas e ambientes marinhos, aumentará a produção aquícola nacional em mais de sete mil toneladas por ano”, destaca a secretária nacional de Planejamento e Ordenamento da Aquicultura, Maria Fernanda Nince.

Ano passado, novos parques aquícolas foram implementados em 14 estados de todas as regiões. Por meio dessas licitações, o governo federal ampliou o acesso dos aquicultores às águas da União a partir da oferta pública de 900 hectares de áreas aquícolas. A estimativa é que a cessão destas áreas resulte no crescimento da produção em mais 210 mil toneladas de pescado por ano e na criação de aproximadamente dez mil empregos.

 
Piscicultura complementa lucro do agricultor

 

DIVERSIFICAÇÃO

Atividade garante R$ 34 mil de renda extra 

O agricultor Laudenir Holtman diversificou a produção em sua pequena propriedade, em Nova Aurora, com a prática da piscicultura. A cidade mantém um dos mais modernos abatedouros de peixes do País.

Além do plantio de soja e milho, ele apostou na criação de tilápias e reforça a renda da família há dois anos.  São três tanques, totalizando 17 mil metros quadrados de lâmina de água. Por ano é possível retirar até 60 mil peixes em um lote e meio. O rendimento chega a R$ 34 mil.

A negociação é feita com a Copacol (Cooperativa Agrícola Consolata), que, inclusive, auxilia os produtores desde o início da criação. “Eles oferecem todos os insumos e alevinos e nós entramos com a estrutura e mão de obra”, conta o agricultor.

No dia a dia também são repassadas informações para que o trabalho seja fortalecido. “Isso tem nos ajudado bastante. Estou feliz com os resultados desta atividade e ela é fundamental para diversificar a produção em toda a região”. 

Região tem o único abatedouro integrado do País 

O único abatedouro de peixes em sistema integrado do Brasil está instalado na região Oeste do Estado, e é mantido pela Copacol. A cooperativa inaugurou a estrutura em 2008 e hoje conta com 170 piscicultores integrados.

O abate diário é de 41 toneladas de peixes e a projeção para este ano é o total de 5.017 mil toneladas.  O produtor é remunerado conforme o seu índice de eficiência técnica. Em média é pago R$ 0,85 pelo quilo. “São avaliados critérios como conversão alimentar e mortalidade, e os manejos com os cuidados nos tanques são alguns dos fatores para os bons resultados dos produtores”.

Toda a produção é destinada para o mercado interno e atualmente é exportada apenas a pele da tilápia para a França.

País espera atingir dois milhões de toneladas

O Plano Safra da Aquicultura deste ano destina R$ 4,1 bilhões em crédito e outros investimentos para o setor. Com estes recursos, a expectativa do Ministério da Pesca e Aquicultura é que a produção nacional de pescado atinja dois milhões de toneladas até o próximo ano.

Os recursos do Plano Safra são acessados por meio da apresentação de projetos junto a bancos públicos, que oferecem juros abaixo da inflação e das taxas praticadas pelo mercado, com três anos de carência e dez anos para a quitação do empréstimo.

 

FONTE: O Paraná
MATÉRIA: Romulo Grigoli
POST: Marilene B. Bergamo




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