Apenas 16 cidades têm Delegacias da Mulher no Estado


Fonte: O Paraná
Post: Marilene B. Bergamo

Vista como um avanço por toda sociedade, a Lei Maria da Penha completa hoje, oito anos. Desde a sua aprovação, em 2006, as mulheres contam com uma legislação específica para ter segurança e direitos na sociedade. Mas a falta de estruturas dificulta as vítimas a levarem os agressores até a prisão.

Das mais de 400 delegacias existentes no Estado, levando-se em consideração dados da própria Secretaria de Segurança Pública, a quantidade de Delegacias da Mulher é aquém do necessário. São apenas 16 municípios, em diversas regiões que contam com uma unidade da Polícia Civil voltada a elas. As delegacias são instaladas nas cidades de Apucarana, Araucária, Campo Mourão, Cascavel, duas em Curitiba, Foz do Iguaçu, Guarapuava, Jacarezinho, Londrina, Maringá, Paranavaí, Pato Branco, Ponta Grossa, São José dos Pinhais, Toledo e Umuarama.

Para a socióloga Moema Viezzer, que trabalha há mais de 40 anos com mulheres vítimas de violência, o fato de não haver delegacias da mulher em cada cidade, diminui muito a capacidade de uma vítima denunciar. “Claro que em cidades pequenas, onde todo mundo se conhece, esse preconceito é ainda maior. As mulheres tem medo, receio do que possa acontecer com ela em caso de uma denúncia”.

Segundo ela, mesmo em locais onde a delegacia existe, é preciso dar assistência e estrutura de trabalho. “No quesito violência contra a mulher o Paraná é um dos mais violentos do país, perdendo apenas para estados do norte e nordeste. É triste saber que um local tão rico ainda enfrenta esse tipo de problema”.

 

Cascavel teve queda de denúncias

Os dados da15ª SDP (Subdivisão Policial) apontam queda de denúncias de mulheres agredidas, em Cascavel. Em 2012 foram 2,3 mil casos; em 2013 foram 1,8 mil e nos seis primeiros meses de 2014, foram 803. A queda é encarada com receio por parte do setor policial.

Segundo a delegada Mariana Vieira, responsável pela Delegacia da Mulher, a vítima está mais confiante em si e a denúncia é apenas o ponto de partida. “Muitas vítimas têm o receio de falar a respeito da agressão e, por mais simples que seja, o ato de denunciar é fundamental para que algo mais grave não aconteça”.

Mariana cita inclusive, a rede de proteção existente para que a mulher não sofra nenhum tipo de represália. “Infelizmente tivemos um caso esse ano de um homem que estava ameaçando sua ex-mulher, ela o denunciou, oferecemos ajuda, mas ela disse que tinha um lugar para ficar: a casa da mãe. Poucas horas depois, o homem foi até a residência e disparou contra a ex-companheira, a mãe acabou entrando na frente para defender a filha, e morreu. A jovem teve ferimentos e foi encaminhada ao hospital, em estado grave na época”.

Ela ressalta que toda ameaça deve ser levada a sério. “Se alguém sabe de uma mulher que foi vítima não só do seu companheiro, mas de qualquer outro tipo de familiar, que venha até a Delegacia da Mulher, e denuncie. Só assim conseguiremos evitar que algo mais sério aconteça”.

 

DENUNCIAS

Para a socióloga Moema Viezzer o medo e o preconceito ainda dificultam as denúncias das vítimas. “E não falo só das mulheres que dependem dos companheiros, mas também de senhoras de classe alta e que tem vergonha de falar, de abalar o seu status de mulher da sociedade”.

 

Toledo teve mais de mil registros em quatro anos

Os números relacionados à violência contra as mulheres em Toledo são considerados preocupantes. Foram registrados 136 casos em 2010, no ano de 2011 esse número aumentou para 237, em 2012 subiu para 313, e chegou a 358 em 2013, totalizando 1.044 registros de crimes contra a mulher nos últimos quatro anos.

Para a secretária de Políticas para Mulheres de Toledo, Maria Cecília Ferreira, as campanhas motivam as mulheres para que denunciem os agressores. “Alguns casos que recebemos, são de violências que duram anos. Sempre incentivamos a mulher para que saia dessa situação de violência e busque os órgãos públicos que estão aí para auxiliá-la, pois violência é crime, então não é possível que se mantenha nessa situação”.

Na próxima quinta-feira, às 19h, durante as ações da Semana Municipal da Família, Toledo promove uma mesa redonda para discutir a Lei Maria da Penha, com a participação da juíza da 2ª Vara Criminal da Comarca, Luciana Lopes do Amaral Beal. A atividade acontecerá no Auditório Acary de Oliveira, na Prefeitura.




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