Obras defasadas na BR-277 deixam motoristas em risco


Matéria: Marina Kessler / O Paraná
Post: Marilene B. Bergamo

 

O principal modal de transporte do País é o rodoviário. Segundo especialistas em trânsito, mesmo as rodovias federais como principais canais que ligam um local a outro, as condições estão aquém do ideal e há um longo caminho a percorrer para que se possa garantir uma infraestrutura segura aos usuários.

Mesmo pedagiada, a BR-277, no trecho que liga Cascavel a Foz do Iguaçu, mantida pela concessionária Ecocataratas, ainda é possível flagrar situações de extremo risco aos usuários. Um exemplo de perigo iminente está em um ponto da duplicação da rodovia próximo a Matelândia, onde criam-se poças com água que trazem sérios riscos às pessoas. A aquaplanagem de veículos é constante.

Segundo especialistas, quando uma rodovia é projetada, é necessário analisar questões além do projeto geométrico, o qual trata das dimensões da via. É preciso apresentar outros planejamentos que o complementam. Para evitar a aquaplanagem, o ideal é elaborar um projeto hidrológico, importante para determinar que tipo material deve ser usado durante a execução da obra viária. Entre os projetos citados, existe também o de drenagem e é justamente esse que permite que as aquaplanagens não ocorram. “O acúmulo de água sobre a pista demonstra uma condição adversa ao projeto. Normalmente esse tipo de situação não é prevista ou não deveria ocorrer se houvesse um projeto hidrológico”, relata um especialista em trânsito, que preferiu ter a identidade preservada. Ele ainda ressalta que é preciso buscar dispositivos para que esses riscos não estejam presentes no momento do tráfego.

Uma das justificativas para ocorrer aquaplanagens com frequência  na BR-277 é a falta de planejamento. Ou seja, com chuvas muito além do que é previsto para essa época do ano, talvez o projeto elaborado para esse trecho da rodovia não suporte tanta chuva, ocorrendo além do alagamento da pista, entupimento dos dispositivos responsáveis pela condução da água.


O risco de aquaplanagem de veículos é grande já que há pontos na BR-277 de total alagamento

 

FLUXO

A 277 é um empreendimento que hoje recebe tráfego muito além do número de veículos para a qual foi projetada, alterando o nível de serviço. A não adequação à capacidade da via para o fluxo expressivo de veículos de pequeno e grande porte geram problemas de trafegabilidade. Segundo a Ecocataratas, responsável pelo trecho na BR-277, esse problema já havia sido notificado à empresa, que está ciente da situação e deve tomar providências em breve.

 

Sem passarelas, pedestres se arriscam em travessia

Não é novidade que as rodovias federais não oferecem aos usuários todos os requisitos de segurança necessários e mesmo com o tráfego intenso de veículos registrado diariamente as condições ainda são precárias.

Um dos maiores riscos na BR-277, entre Cascavel e Foz do Iguaçu, envolve os pedestres e ciclistas, que para atravessar de um lado a outro da rodovia precisam se arriscar na pista. Em mais de 100 quilômetros há apenas uma passarela, próximo a Santa Tereza do Oeste. Não há passarelas em alguns perímetros urbanos, como Medianeira, Matelândia, Céu Azul e municípios vizinhos cortados pela rodovia, mesmo com o tráfego diário de quem reside nessas cidades.


Pedestres contam com a sorte para atravessar a rodovia para chegar ao outro lado do perímetro urbano

 

Dentro do previsto 

A Ecocataratas informou que o número de passarelas existentes no trecho de concessão da BR-277 - entre Foz do Iguaçu e Guarapuava – está de acordo com o previsto no programa de concessão e visam a dar segurança, assim como atender às necessidades da população. A concessionária ainda relatou em nota que aguarda a autorização do DER (Departamento de Estradas de Rodagem) para o início da construção de mais duas passagens subterrâneas a pedestres no trecho de duplicação da BR-277, em Medianeira. Segundo a Ecocataratas, uma passagem será construída entre a Frimesa e o Posto Capri e a outra entre o viaduto da avenida Brasília e o acesso a Serranópolis do Iguaçu. O prazo previsto para a construção das passagens é de 150 dias a partir da autorização do Estado. Os locais foram definidos em conjunto com a administração municipal e o DER. No projeto aprovado pelo DER não há previsão de construção de passarelas.

 

Autorização

O Governo do Paraná autorizou a implantação de duas transposições subterrâneas para pedestres no trecho duplicado da BR-277, em Medianeira. O valor investido pela concessionária será de aproximadamente R$3,2 milhões. O DER-PR também está em negociação com a Ecocataratas para antecipar a obra prevista de construção de um bueiro no término da duplicação de Matelândia, que evitará possíveis alagamentos no trecho.   

 

Barreira cai na 277 

Durante o temporal do fim de semana, uma barreira caiu na BR-277, no km 589, e interditou parte do trecho próximo a Cascavel. Com o ocorrido, o trânsito era desviado pelo acostamento e pela pista contrária. 

O flagrante de mulheres com crianças de colo, gestantes e até idosos tentando atravessar a rodovia é constante. Mas, como a única alternativa para se chegar ao outro lado do perímetro urbano, é necessário que se redobrem os cuidados no momento da travessia. Esse problema resulta no registro de atropelamentos, atingindo também ciclistas. A PRF (Polícia Rodoviária Federal) não informou o total de acidentes neste trecho.




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