Médico procurado pela Interpol é entregue à PF


Após um intenso trabalho de investigação, com o apoio da PF (Polícia Federal), foi preso na tarde de ontem, vivendo como um cidadão comum, ao lado da esposa, a ex-promotora Larissa Sacco, e de dois filhos em Assunção, na capital do Paraguai, o ex-médico especialista em reprodução humana, Roger Abdelmassih de 70 anos.

 

Ele estava foragido há três anos e levava os filhos na escola no momento da detenção. Ele não resistiu à prisão. O especialista foi condenado em 2010 a 278 anos de prisão, por estupro e atentado violento ao pudor contra mais de 30 pacientes que frequentavam sua clínica de fertilização, localizada em região nobre de São Paulo, além de ter sido acusado de que parte dos oito mil bebês que nasceu a partir destas inseminações não seria filho biológico de quem fez o tratamento.

Sua localização também se deu por conta de investigações do Ministério Público Estadual de São Paulo, que apurava a suspeita de lavagem de dinheiro do médico. Recentemente o Gaeco de Avaré, interior paulista, teria cumprido mandado de busca e apreensão em uma fazenda onde localizou documentos e notas fiscais indicando o paradeiro do fugitivo.

AÍLTON SANTOS

Coletiva à imprensa foi realizada ontem no fim do dia na sede da DPF em Foz do Iguaçu

INVESTIGAÇÃO

Delegado estava há dez dias no Paraguai 

Segundo o Departamento de Inteligência da PF, em Brasília, inúmeras informações chegaram ao departamento nos últimos anos dando conta que o ex-médico estava em diversos cantos do mundo, mas há aproximadamente dez dias, uma informação bastante precisa relatava que o foragido estava na capital do país vizinho vivendo, em uma residência de luxo, com a esposa e filhos.

Uma equipe brasileira foi até Assunção e monitorava a vida de Abdelmassih. A prisão foi realizada por policiais ligados à Secretaria Nacional Antidrogas do Paraguai, equivalente à Polícia Federal. Todo o trabalho foi acompanhado por agentes brasileiros.

Ontem, no fim da tarde, Abdelmassih chegou à Ponte da Amizade, em Foz do Iguaçu, onde foi entregue oficialmente para a polícia brasileira em deportação sumária. Em seguida, uma coletiva à imprensa foi realizada na Delegacia da PF daquela cidade para falar sobre a prisão. A expectativa é para que hoje, às 11h, o ex-médico seja levado para São Paulo, em um avião da Polícia Federal, onde cumprirá pena.

A informação é de que ele não estava trabalhando no país vizinho. 

INTERPOL

Considerado um dos foragidos mais procurados do estado de São Paulo, chegou-se a oferecer recompensa de R$ 10 mil para quem repassasse informações precisas sobre seu paradeiro. O ex-médico estava na lista da Interpol. Ele respondeu mais de 50 processos onde era indicado como autor de pelo menos 56 estupros e abusos.

Em nota, a Secretaria da Segurança Pública de São Paulo disse que a detenção só foi possível graças a informações obtidas em investigações do Ministério Público do Estado, com a colaboração da Polícia Civil daquele estado. 

O caso

As primeiras denúncias foram tornadas públicas em 2008, sendo que o então médico indiciado em 2009. Em 2010 foi condenado, mas conseguiu o direito de responder graças a um habeas corpus revogado pouco depois quando foi emitir seu passaporte, indicando que poderia deixar o país.

Em 2011 ele teve seu registro profissional cassado pelo Conselho Regional de Medicina paulista. Deixou ilegalmente o país e foi considerado foragido, sendo um dos brasileiros mais procurados pela Interpol.




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