Cascavel é surpreendida por cenas de terror com rebelião na PEC


Matéria: Catve
Post: Marilene B. Bergamo

Cenas que Cascavel nunca viu uma penitenciária inteira em total poder dos presos regidos pelas ordens do Primeiro Comando da Capital (PCC). A rebelião começou às 6 horas da manhã de ontem (24), dia de visita na penitenciária.

"Os agentes ao ingressarem na 9ª galeria do bloco 3, foram surpreendidos pelos presos, que haviam serrado parte da grade. Aí foi fácil, eram quatro presos e três agentes - um deles conseguiu escapar".

No começo dois agentes foram mantidos como reféns, a rebelião que começou pequena ganhou uma proporção gigantesca em poucas horas. O número de reféns se multiplicou, colegas viraram vítimas, presos que cumpriam pena por estupro, foram escolhidos para a tortura. Eles foram expostos, ficaram sem roupa, com a calça amarrada no pescoço para o enforcamento. Os presos não cansavam de ameaçar.

As reivindicações do começo eram desencontradas, mas eles estavam totalmente dispostos ao enfrentamento, como forma de pressão, do alto do telhado de uma altura de 12 metros, eles começaram os arremessos dos reféns. Um deles foi jogado de ponta cabeça, o segundo se agarrou em uma cerca elétrica e tentou lutar pela vida, mas não conseguiu segurar por muito tempo. O terceiro também amarrado foi rolando pelo telhado até atingir o chão. E houve ainda um quarto preso jogado do telhado.

O Corpo de Bombeiros estava pronto para atender as vítimas, mas não havia forma de entrar na penitenciária para o resgate. A polícia mudou os planos, os familiares e também a imprensa foram isolados, a partir daí nada mais pode ser visto.

"O clima já estava diferente, na sexta-feira, era pra ele (preso) descer um horário para visita, mas desceu bem depois", relatou a mãe de um dos detentos. "Tinha preso machucado, que tinham brigado dentro das celas".

Mais de duzentos policiais fortemente armados, viaturas, helicópteros, comissão de direitos humanos. "Ainda não nos foi permitido acesso". Juízes, governo do Estado e ainda assim a PEC estava dominada pelos presos. O que mais a equipe de reportagem ouviu no local era que a rebelião era uma tragédia anunciada.

"Eles exibiam cabeças de presos, colocavam no colo dos agentes".

"Uma penitenciária como essa com 1.100 presos, a estrutura de manutenção dos presos é precária infelizmente, sempre há este risco eminente. Esperamos que a precariedade venha a ser suprida. Temos falta de equipamentos para os agentes, inclusive de segurança, e também de estrutura para os presos".

"É uma penitenciária que vem sofrendo sucateamento, falta de efetivo, falta de condições de trabalho, de estrutura, de atendimento, que é fundamental dar aos presos, a tensão vai aumentando, às vezes faltam medicamentos, produtos de higiene e isso acaba afetando o ambiente prisional".

No local, de acordo com o capitão Cícero da Polícia Militar (PM), há policiais do 5º Comando Regional, do Batalhão de Fronteira.

"As reclamações são as de praxe, de alimentação, estrutura, médicos, locais com pouca higiene", relatou um advogado.




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