Dia da Avicultura, o Paraná tem o que comemorar


Matéria: CGN
Post: Marilene B. Bergamo

Desde aqueles que são felizes por conseguirem garantir o ‘franguinho na panela’ para a família, até e principalmente àqueles que tiram da avicultura o seu sustento, hoje é dia de comemorar, é o Dia da Avicultura. O Paraná, diante dos últimos resultados em termos de produção, tem muito que comemorar, com aumento considerável em relação aos anos anteriores. Segundo os dados do Sindiavipar (Sindicato das Indústrias de Produtos Avícolas do Estado do Paraná), até o mês passado, o Estado atingiu o resultado de 896,3 milhões de frangos abatidos, com crescimento de 6% em relação ao ano anterior neste mesmo período.

Em termos de exportação o Estado também reúne bons resultados, ficando à frente do Rio Grande do Sul e Santa Catarina tanto em volume quanto em valores, e olha que o Brasil é hoje o maior exportador de avicultura, à frente até mesmo dos maiores produtores mundiais, Estados Unidos e China. Neste cenário todo Cascavel e região se estabelece e se destaca, já que é casa de uma companhia que é referência em avicultura moderna, a Globoaves. Roberto Kaefer, sócio-diretor da Globoaves explica o fator que fez com que o Paraná se destacasse tanto neste setor.

“O Paraná se saiu muito bem na questão da exportação. As cooperativas que investiram na avicultura investiram em indústrias novas, que ainda hoje são seminovas e que estão atualizadas em termos de produção para o mercado internacional”, explica.

No próximo ano a empresa completa 30 anos, desde que partiu do ramo do comércio de secos e molhados para investir na produção de aves e ovos, numa época em que o consumo brasileiro em relação à carne de frango nem se comparava ao de hoje. Nesse tempo a empresa chegou longe e exporta para diversos países sem deixar de olhar para região que a viu crescer.

“Nós estamos constantemente investindo no setor e principalmente na nossa região”, afirma Velci Kaefer, também sócio-diretor.

Velci conta que a Globoaves evoluiu no mesmo ritmo que a avicultura.

“Quando nós começamos não tinha a produção que temos hoje na região, que produz mais de 2 milhões de frango ao dia. A gente foi crescendo conforme o Brasil e o mundo em termos de produção e consumo”, conta.

A Globoaves conta com 11 incubatórios e conforme Roberto mesmo explica, onde há incubatório, há muitas granjas, e onde há muitas granjas há também a necessidade de uma fábrica de ração e tudo isso a Globoaves contempla e produz em 11 estados brasileiros. A produção passa de R$ 50 milhões ao mês e mantém a companhia como a maior produtora de pintinhos e ovos férteis. Cerca de 60 a 70% da exportação da avicultura brasileira é da Globoaves, um total de 8 a 10 milhões de ovos ao mês. Quando assunto é aves de corte, a Globoaves conta com cinco frigoríficos  de aves e tem investido pesado para se adequar às exigências do mercado externo.

Somente nos últimos meses foram investidos aproximadamente R$ 35 milhões nestas unidades frigoríficas. O investimento é principalmente no sentido de se adequar às especificações sanitárias de cada país. No Brasil, os derivados produzidos pela Globoaves chegam até a mesa dos consumidores pela marca ValeSul e o portfólio é grande, vai desde o frango até salsichas, linguiças e mortadelas, além de carnes temperadas e marinadas.

A perspectiva para o próximo ano é de expandir o mercado internacional. Atualmente a Globoaves é a única empresa que exporta para o México, a empresa também está prestes a exportar para a Rússia e almeja os países da América Central, como Costa Rica, Honduras e Panamá, entre outros. Países que eram abastecidos pelos Estados Unidos e que hoje não são mais. Este é um dos fatores que faz com que Roberto avalie como bom o momento atual da avicultura.

“Hoje a empresa tem uma demanda maior do que tem de produção, é um produto que está em falta, tanto que deixamos de exportar os ovos férteis, por causa do consumo interno e pelo fato de que todas as cooperativas da região são nossas clientes. Eles evoluíram muito em produção e nós evoluímos junto”, conta.

Ele também aponta a valorização das carnes como ponto positivo.

Biotecnologia

A empresa também investe na biotecnologia e é fornecedora de ovos embrionados para a produção de vacinas contra a gripe no Brasil. Hoje as vacinas contra a gripe, disponibilizadas nas campanhas anuais são produzidas no Brasil e são feitas com ovos da Globoaves.

Novo governo

Roberto Kaefer fala também do que espera do novo governo para que a avicultura brasileira permaneça no patamar atual. Segundo ele, é necessário que se mantenha a exigência sanitária para a instalação de aviários e frigoríficos para que o Brasil mantenha a qualidade dos produtos e siga exportando no mesmo ritmo. O empresário também espera que o governo invista mais na avicultura e destine mais recursos para esta área, além de melhorar a condição de exportação, para que o custo benefício seja mantido.

Assédio

Em relação à tendência de que a avicultura esteja cada vez mais concentrada nas mãos de poucos, ou seja, dos grandes grupos, os empresários dizem não temer e ainda se sentem confortáveis diante desta condição.

“Hoje existe mais competência na produção e para concorrer com os grandes grupos é preciso ter mais competência ainda. A diferença é que os grandes grupos têm ações no mercado e precisam fazer dinheiro, portanto não podem vender a qualquer preço. Nós sempre crescemos ao lado dos grandes e nos sentimos confortáveis ao lado deles porque essa concorrência nos faz pensar em evolução diariamente, além de trabalhar a questão de custo e logística”, afirma.

Ele também garante que a Globoaves não cogita a venda da empresa para estes grandes grupos que trabalham com avicultura, que constantemente visam novas aquisições.




Leia também: