#Ocupa Brasília mostra a união da classe trabalhadora


   O dia 24 de maio já entrou para a história do Brasil como a maior marcha da classe trabalhadora que Brasília já teve. Por mais que as autoridades de segurança pública queiram minimizar o evento, a cobertura jornalística internacional registrou a presença de mais de 150.000 pessoas nessa histórica caminhada. O ato foi organizado pela União Geral dos Trabalhadores (UGT) em conjunto com todas as centrais sindicais com vários movimentos populares.

   Do Paraná foram diversas caravanas de várias cidades que rumaram à Brasília. “Contabilizamos no mínimo, 50 ônibus, com trabalhadores e dirigentes sindicais das mais diversas categorias”, destaca o presidente da UGT-PARANÁ, Paulo Rossi.

   Tendo como foco mostrar para os parlamentares que as reformas da Previdência e trabalhista propostas pelo Governo federal não têm apoio popular, e são extremamente danosas para a sociedade, a marcha teve o  apoio de trabalhadores e trabalhadoras de todo o Brasil que viajaram horas e até dias para protestar contra os atentados à democracia do país, já que as propostas de reformas foram construídas sem a participação da sociedade e atendem, única e exclusivamente, o setor empresarial.

   Além de exigir que tais propostas sejam construídas por meio da participação popular, a manifestação ganhou um tom de indignação principalmente por conta das denúncias que vieram a tona com a delação da JBS.

   “O governo quer a todo custo aprovar essas reformas, mesmo sem consultar a sociedade, de forma exacerbada e tirana, isso é uma irresponsabilidade sem precedentes, pois nesse momento nenhuma das Casas têm condições morais de votar medidas de austeridade com tantas denúncias contra o Temer”, discursou o presidente nacional da UGT, Ricardo Patah, sob uma verdadeira chuva de bombas de gás lacrimogêneo, na Esplanada dos Ministérios.  Patah ressaltou que este é o momento de resistir às investidas que os parlamentares estão fazendo contra a classe trabalhadora.

REPRESSÃO

   Ricardo Patah criticou a ação policial, que usou de força excessiva para tentar acabar com as manifestações, que seguiam pacíficas até que os policiais começassem a agredir os manifestantes.

   A manifestação, que teve como objetivo lutar contra as reformas trabalhista e previdenciária, foi composta por pais e mães de família, estudantes, professores e aposentados. “Ninguém que está aqui é vagabundo. São pessoas de bem, que estão lutando contra medidas de austeridade que visam retirar direitos sociais e trabalhistas”, disse Patah.

   Durante o ato, o ator Osmar Prado subiu no carro de som e fez um discurso de apoio aos trabalhadores e trabalhadoras. “Este congresso não tem moral para votar as reformas da maneira como eles apresentaram. Este é o momento de lutar e reivindicar”, disse o ator.

   Os manifestantes prosseguiram acompanhando o caminhão de som até que centenas de bombas de efeito moral começaram a ser atiradas em direção à multidão.

   Mesmo com Ricardo Patah pedindo para que os manifestantes não caíssem na provocação dos policiais, a repressão foi muito violenta e, inevitavelmente, muitos manifestantes se feriram durante o ato. “Somos homens e mulheres, pais e mães de família. Mesmo assim, os policiais não param de jogar bomba. Isso é desumano e imoral. As imagens estão aí para o mundo inteiro ver a forma como os trabalhadores estão sendo tratados”, disse Patah.

   Para o diretor do Secoomed-PR (entidade filiada à UGT), Enrico de Souza que esteve em Brasília, as forças de segurança mostraram total despreparo no acompanhamento da marcha dos trabalhadores. “Se as agências de inteligência monitoravam os movimentos das centrais nos dias que antecederam o evento; se a Secretaria de Segurança Pública do Distrito Federal já sabia que grupos infiltrados iriam promover badernas, por que não foram tomadas medidas coerentes de segurança para os manifestantes e o patrimônio público”, alerta Enrico. O dirigente do Secoomed presenciou as ações das polícias contra os manifestantes: “os policiais altamente treinados, em número bem maior, com equipamentos de repressão sofisticados, não conseguiram deter um pequeno grupo de algumas dezenas de baderneiros? Falta de competência dos organismos de segurança, ou tudo foi organizado de forma premeditada para tentar desacreditar o movimento sindical?”, questiona Enrico. 

Fonte: UGT Paraná




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