Audiência pública debate concessões de pedágio no Paraná.


A notícia de que novas praças de pedágio devem ser instaladas no Paraná mobilizou entidades da sociedade civil, que estiveram reunidas nesta segunda-feira (21) na Assembleia Legislativa em um audiência pública sobre concessões de rodovias, proposta pelo deputado Professor Lemos (PT). Cerca de 50 pessoas estiveram presentes no Plenarinho da Casa, ouvindo as palestras de deputados e representantes do setor. Entre as propostas debatidas na audiência estão a redução dos valores de pedágio cobrados no Paraná, para que o preço pago pelos motoristas se adeque aos investimentos nas rodovias – segundo as entidades presentes na Assembleia, as concessionárias de pedágio teriam suprimido obras de infraestrutura nas estradas, como duplicação e construção de viadutos. “A taxa de retorno do pedágio do Paraná é uma das mais altas, conferindo lucros para poucos e prejudicando a economia paranaense. Queremos chamar a atenção da sociedade para esses contratos abusivos e é importante que a população venha para a Casa para pedir a redução dos pedágios”, salienta o deputado Professor Lemos. O advogado do Fórum Nacional Contra o Pedágio, Simon de Quadros, ressalta que as concessionários estariam discutindo com o governo a postergação dos contratos para que as obras, previstas em acordos iniciais, saíssem de fato do papel. “Nenhuma grande obra prevista em contrato foi executada no estado e elas não podem agora ser negociadas como se fossem novas, porque não são. A sociedade precisa estar atenta a esses pontos”, pondera. Levantamento Outro deputado que palestrou no Plenarinho foi Cleiton Kielse (PMDB), que apresentou dados sobre as concessionárias paranaenses. Pelo levantamento do parlamentar, as empresas teriam arrecadado R$ 7,7 bilhões e investido apenas R$ 816 milhões em obras no Paraná, entre 1998 e 2008. Entretanto, de acordo com dados da Associação Brasileira de Concessionárias de Rodovias (ACBR), citados por Kielse na Assembleia, a receita no período teria sido de R$ 5,6 bilhões e o investimento, R$ 3,8 bilhões. “Várias obras que poderiam ter evitado a perda de vidas e aumento a competitividade do produtor paranaense não foram feitas. Isso impede o desenvolvimento do nosso estado”, ressalta. Entre os presentes estavam outros parlamentares, dirigentes de sindicatos representantes do setor e lideranças religiosas do estado.



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